27 de maio de 2017

Palestrantes

 

Dra. Elizabeth F. Churchill
Diretora de Experiência do Usuário – Google Inc.

Palestra: Human Computer Interaction: Past, Present and Future

Human Computer Interaction (HCI) as a discipline is around 35 years old. As we move into the next decades of HCI we have some wonderful opportunities for revisiting old methods and tactics for understanding how people interact with computers, but also the challenge of thinking about new methods for understanding, innovating and pushing the boundaries of the discipline. As interactive applications, devices and services become embedded into our environments, as artificial intelligence (AI) techniques create more and more dynamic services that underlie our digital interactions, as we are increasingly able to manage and configure our devices and program their interactions, and as computation becomes increasingly embedded into our bodies, we need new methods, new tools and new perspectives. In this talk, I’ll look to the past of HCI as a way of thinking about the future of our discipline.

O trabalho de Elizabeth Chruchill está centrado em ferramentas para designers e desenvolvedores em ecossistemas conectados da Web Social e Internet das Coisas. Por duas décadas, Elizabeth foi líder de pesquisa em organizações bem conhecidas de P&D, incluindo o laboratório de pesquisa Fuji Xerox no Vale do Silício (FXPAL), o Palo Alto Research Center (PARC), eBay Research Labs em San Jose e Yahoo! em Santa Clara, Califórnia. Elizabeth contribuiu com pesquisas inovadoras em várias áreas, publicando mais de 100 artigos, co-editando 5 livros em áreas relacionadas a IHC, contribuindo como uma colunista regular para a revista Interactions da ACM desde 2008 e publicando um livro acadêmico, Foundations for Designing User Centered Systems. Seu próximo livro, Designing with Data, será publicado em 2017. Ela também lançou produtos de sucesso, e tem mais de 50 patentes concedidas ou pendentes. Como uma Distinta Cientista e Palestrante da Association for Computing Machinery (ACM), e membro da Academia CHI, Elizabeth é a atual Secretária/Tesoureira da ACM. Ela atuou no Comitê Executivo da ACM SIGCHI por 8 anos, 6 anos como vice-presidente executiva. Elizabeth faz parte do conselho consultivo de vários departamentos universitários e foi recentemente a vencedora do prêmio CITRIS e Banta Institute Athena Award pela Liderança Executiva.


Profa. Clarisse Sieckenius de Souza
PUC-Rio

Palestra: Em busca de um Componente Pragmático para Teorias da Computação

Esta palestra conta em retrospectiva o percurso em pesquisa da palestrante, que migrou da Linguística para a Computação, como uma busca constante pela inclusão de “pragmática” nas descrições formais de linguagens de computação, especialmente as utilizadas na interação humano-computador. Fazendo um paralelo com a incorporação da Pragmática na teoria da linguagem na década de 1980, o argumento central da palestra é que, assim como ocorreu com a teoria da linguagem na época, teorias da computação contemporâneas podem ter de alargar sua perspectiva sobre seu objeto de estudo para poder fazer face a questões desafiadoras trazidas pelo desenvolvimento tecnológico e sua influência sobre indivíduos, sociedades e culturas. IHC, neste quadro, teria para a Teoria da Computação o mesmo papel que a Pragmática teve na Linguística. No entanto, este papel impõe novos desafios para as próprias teorias de IHC, alguns deles ilustrados pelo trajeto evolutivo da Engenharia Semiótica. A palestra se conclui propondo que IHC pode ter um lugar definido no chamado “núcleo duro” da Ciência da Computação.

Clarisse é conhecida por seu trabalho interdisciplinar com Semiótica e Computação, focado na área de Interação Humano-Computador, que lhe valeu alguns prêmios e distinções no Brasil e no exterior: o ACM SIGDOC Rigo Award em 2010; o ACM SIGCHI CHI Academy Award em 2013; o IFIP TC-13 Pioneers of HCI Award em 2014; e o Prêmio do Mérito Científico da Sociedade Brasileira de Computação em 2016. Além disto, em 2014, foi selecionada entre as 54 Notable Women in Computing, numa iniciativa da CRA-W e Instituto Anita Borg para estimular a participação de mais mulheres cientistas na Computação. Foi uma das fundadoras da área de IHC (Interação Humano-Computador) junto à Sociedade Brasileira de Computação e também membro do Comitês Assessores de Ciência da Computação do CNPq e da CAPES. Orientou 25 teses de doutorado (20 delas como orientadora principal e 5 como co-orientadora) e 19 dissertações de mestrado (18 como orientadora principal e 1 como co-orientadora). Seus principais projetos de pesquisa foram apoiados pelo CNPq, FAPERJ e AMD Foundation. Ao longo de sua carreira realizou estágios de pós-doutorado ou de pesquisadora visitante em universidades estrangeiras tais como a Universidade de Stanford (com Terry Winograd), a Universidade de Maryland em Baltimore (com Jenny Preece) e a Universidade de Waterloo (com Tom Carey). Em 1991 deu início a sua pesquisa sobre Engenharia Semiótica, vindo a fundar o SERG (Grupo de Pesquisa em Engenharia Semiótica) em 1996. Clarisse  obteve seu Bacharelado em Letras (habilitação Tradutora-Intérprete) em 1979, Mestrado em Língua Portuguesa em 1982 e Doutorado em Linguística Aplicada em 1988, no Departamento de Letras da PUC-Rio. Em  outubro de 1988 ingressou no Departamento de Informática, do qual se tornou Professora Titular em 2006.


Dr. Luiz Ernesto Merkle
Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Palestra: Tendências em IHC D’antanho e Àlhures – visadas e pegadas alternativas para e de outros estudos do interagir

Nesta pequena nota pretendo realçar algumas reflexões do filósofo e professor brasileiro Álvaro Vieira Pinto (1909-1987) sobre os limites da Cibernética/Informática ao longo de seus devires históricos e materiais. Eu também almejo discriminar algumas heranças e tendências em e para IHC, entendida de modo amplo e diversificado. Especificamente, entendo que as relações entre a Interação Humano Computador e a Computação geralmente são limitadas e limitantes, afinal são históricas e situadas. Tal relação não é de inclusão, embora na fala comum ouça-se falar da IHC na Computação, mas de contradição. A obra de Vieira Pinto é extensa, sua recepção no Brazil controversa, e pouco difundida. No âmbito internacional é desconhecida. Seu trabalho tem uma maior difusão na área da Educação, em parte por seus apontamentos sobre educação de adultos escritos durante o exílio no Chile e, talvez, desencadeada pelo reconhecimento de Paulo Freire ao seu trabalho. Em obra publicada postumamente intitulada ‘O Conceito de Tecnologia’, ele fundamenta filosófica e teoricamente sua compreensão de técnica e tecnologia como trabalho, como mediação, e já aponta Dialética como fundamento necessário para a Cibernética. Os exemplos que ele discutiu poderiam ser inscritos ao longo de áreas como Computação e Informática, Controle e Automação, Ciências Cognitivas, Administração, Economia, e outras, algumas destas chave para se compreender a IHC. Muitos deles são caracterizados como ingênuos e carentes de um ponto de vista crítico. Em particular ele discute neste livro temas e conceitos à época e ainda hoje bastante caros à Informática e à seus subramos. Por exemplo, ele argumeta que o conceito de máquinas pensantes é ingênuo, ele critica as relações entre humanos e máquinas, a ambição universalista de abordagens formais. Ele discute conceitos como lógica, informação e consciência, sempre reforçando o caráter social, situado e histórico das tecnologias, de modo a propiciar uma problematização crítica da produção cotidiana da existência humana. Hoje, embora meio século tenha se passado, seus apontamentos ainda permanecem relevantes, postulo eu, pois tais áreas permaneceram em grande parte tributárias de tais visões, tendências e conceitos. Curiosamente, ele os comentou, avant la lettre, muito antes de autores como Terry Winograd, Fernando Flores, Lucy Suchman, Liam Bannon, Susanne Bødker, Pelle Ehn, e outros/as. Com tal discussão, pretendo problematizar ao menos as relações disciplinares entre a Interação Humano Computador e a Computação, em particular no Brasil. Entendo que o relativo amadurecimento, sucesso e reconhecimento da inscrição da IHC como Computação no Brasil nos permite hoje também se aventurar em outras searas, rumo a outras perspectivas e compreensões. Nós também podemos considerar a Computação como resultado de interações humanas, no sentido inverso do que geralmente é feito e fomentado. Não podemos nos contentar por muito mais tempo em simplesmente incrustar a IHC na Computação (ou no Design, na Comunicação, etc). Precisamos desafiar nosso status quo, nossas perspectivas teóricas e práticas, nossa herança, nossos interesses. Apenas de tal modo, o cultural, o axiológico, o político, o ambiental, o bem viver importará. Pessoas importam, sempre. Ou seja, também devemos ousar e construir uma Computação à luz de uma IHC. A questão que vai ficar em aberto é “qual IHC?”.

Prof. Merkle é educador na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, no programa interdisciplinar de pós-graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE), na linha de pesquisa em Mediações e Culturas. Na graduação está lotado no Departamento Acadêmico de Informática. Seus interesses estão voltados para múltiplos computares, sempre situados e circunstanciados histórica, cultural, e axiologicamente como atividade humana, com interesse particular nos estudos culturais das tecnologias, nas implicações entre Informática e Sociedade, na fundamentação crítica do design de interação, e em projetos direcionados à cultura, às tecnologias, às ciências e à educação livres e abertas. Integra os grupos de pesquisa:
(a) “Ciências Humanas, Tecnologia e Sociedade” (CHTS), onde tem interesse por autores e autoras latino-americanas (e.g Álvaro Vieira Pinto, Paulo Freire) que trabalharam conceitualmente as tecnologias;
(b) o “Xuê: Participação, interação e computação”, onde reflete sobre diferentes aportes teóricos e as diferentes práticas implicadas das interações e dos media digitais no cotidiano. Participa de programas e projetos como: Programa de Educação Tutorial Computando Culturas em Equidade (PET-CoCE) , o “Emílias: Armação em Bits”, Arcaz, PiAA.
Luiz Merkle é graduado em engenharia elética pela UTFPR, então CEFET-PR, Curitiba, Brasil, e doutor em Ciência da Computação pela Western University, Ontario, Canadá. Com uma grande experiência e visão multidisciplinar para a pesquisa e o ensino, o Prof. Merkle tem orientado diversos trabalhos de mestrado e doutorado, se dedicando também a estudos sobre reestruturação curricular e “living curricula” para IHC. Curiosidade: O Prof. Merkle foi quem produziu os Anais do 1º IHC, que ocorreu em Maringá no ano de 1998.

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